sexta-feira, 16 de março de 2012

O Diferencial nos Sistemas de Informação.

Nas últimas aulas de estágio temos discutido muito sobre quais são as características que enriquecem os sistemas de informação nos mais diversos domínios de aplicação, e temos constatado que um sistema diferenciado é capaz de emitir relatórios com informações sintetizadas que auxiliam tomadores de decisões.

A informatização de uma organização vai muito além do simples fato de espalhar computadores e impressoras por esta organização. Para que a tecnologia da informação e seus recursos sejam capazes de trazer resultados, ou mesmo resolver problemas, a sua implantação deve ser planejada, elaborando uma estruturação interna e externa ao ambiente da organização. Essa implantação também deve ser gerida, a fim de acompanhar se os elementos pertinentes ao escopo e a validação quanto aos quesitos de qualidade. E, por fim, ela também deve possuir uma ação efetiva de todos os participantes deste processo (REZENDE, 2007; TONSIG, 2008).

Outra questão importante que deve ser considerada no momento do planejamento / projeto de um sistema de informação é que estes sistemas devem, sempre, vir ao encontro da missão e dos objetivos da organização. Para tanto, sua estruturação deve compreender as funções organizacionais e as regras de negócio (como o negócio é realizado e gerido) ou da(s) atividade(s) principal desta organização, contemplando todas as ações pertinentes a todos os segmentos da organização, inclusive, respeitando os aspectos legais e jurídicos (PRESSMAN, 2006; REZENDE, 2007; SIQUEIRA, 2005).

Visando contribuir para as atividades de planejamento, desenvolvimento e gestão, os sistemas de informação podem ser classificados quanto a sua abrangência dentro da organização ou associado aos níveis estruturais desta organização.

Quanto a sua abrangência, é notório que as organizações possuem diversos segmentos, como departamentos ou setores que compõem a organização. Nesse aspecto, uma forma de classificar os sistemas de informação é associá-lo a essas estruturas administrativas (recursos humanos, vendas, financeiro, etc.). Assim, com relação a tecnologia da informação e a arquitetura do sistema, os sistemas de informação (SI) podem ser classificados da seguinte forma ( SIQUEIRA, 2005; REZENDE, 2007):

• SI pessoais: Utilizados por uma determinada pessoa.
• SI departamental: Utilizados por um grupo de pessoas ou por um determinado departamento.
• SI organizacional: Utilizado por uma determinada organização.
• SI interorganizacional: Utilizado por todas as organizações de um grupo ou por parceiros.
• SI global: Utilizado por uma rede de organizações geograficamente dispersa.

Outra forma de classificar os SI, é quanto ao seu nível estrutural. De forma geral, as organizações são estruturadas em três níveis, como mostra a figura 1:

As informações computacionais pertencentes a cada nível tem o objetivo de atender as necessidades desse nível específico. No nível operacional, os SI são utilizados pelos profissionais cuja principal função é realizar / executar e cumprir as ações e metas estabelecidas pelos níveis táticos e estratégicos. Neste nível, o foco do SI é atividades diárias e rotineiras, e as informações geradas por este nível dão subsídios para as decisões tomadas nos níveis superiores. O sistema de informação utilizado pelo nível operacional irá alimentar os bancos de dados nas suas operações típicas, como: vendas, compras, contas pagas, contas recebidas, entre outros. Os sistemas de informação deste nível são conhecidos como Sistemas de Informação Operacional (SIO).

O nível tático ou gerencial possui o objetivo de disponibilizar aos gerentes informações detalhas de sumarizadas, extraídas a partir do banco de dados operacional. Os sistemas pertencentes a este nível são também chamados de Sistemas de Informações Gerenciais (SIG). Neste nível, o objetivo das informações extraídas é medir o desempenho das operações, processos e funcionários desenvolvidos no nível operacional. Os relatórios emitidos por este nível, em geral, são compostos por informações sumarizadas em diversos níveis de detalhamento e periodicidade, fornecendo aos gerentes análises estatísticas e relatórios especiais. Em suma, neste nível hierárquico, os SI não realizam atividades de atualização de informações constantes em banco de dados, em geral, limitam-se apenas na emissão de relatórios e operações de consultas e liberações. Os sistemas especialistas que utilizam técnicas da Inteligência Artificial também fazem parte deste nível hierárquico (SIQUEIRA, 2005; REZENDE, 2007; TONSIG, 2008).

Os SI do nível tático tem uma grande participação no planejamento organizacional dos recursos e na administração de conflitos. Para tanto, é necessário alinhar informações de cunho econômico e social. Essas informações possuem a característica de auxiliar nos processos de tomada de decisão no nível gerencial, ou seja, decisões pertinentes ao âmbito e tático e operacional, que em geral, são decisões de impacto mais imediato (SIQUEIRA, 2005; REZENDE, 2007; TONSIG, 2008).

Por fim, o nível estratégico possui SI de informação que atende ao alto nível da organização, ou seja, é o nível onde estão alocados os CEO’s (Chief executive officer), presidentes e diretores. Os sistemas pertencentes a este nível são também chamados de SIE (Sistemas de Informação Estratégica).

Nestes sistemas, é requerido uma utilização simplificada e alto nível de linguagem gráfica, tendo como foco as informações estratégicas internas e externas da organização, a fim de possibilitar a tomada de decisão após análise de cenários extraídos a partir dos níveis anteriores e permitindo ter uma visão mais ampla da organização. De forma sucinta, o nível estratégico necessita de informações sintetizadas que permitem analisar dados de forma a conhecer ou antecipar tendências de mercado, informações competitivas, indicadores internos e externos. As decisões tomadas por este nível, em geral, são decisões não rotineiras e relacionadas ao planejamento estratégico de longo prazo, cuja suas ações têm efeito duradouro e de difícil inversão (SIQUEIRA, 2005; REZENDE, 2007; TONSIG, 2008).

Para então dar atenção a todos os níveis e exigências organizacionais, os SI diferenciados devem ser capazes de atender a arquitetura organizacional em todos os aspectos. Logo, a arquitetura dos SI deve integrar todos os níveis da organização gerando dados no nível operacional e utilizando estes dados nos níveis táticos e estratégicos. Desta forma, quanto melhor forem apoiados os processos tecnológicos, melhores e maiores serão as oportunidades de competitividade para as organizações.

Referências
PRESSMAN, R. S. Engenharia de Software, 6ª edição, MC Graw Hill, São Paulo, 2006.
REZENDE, Alcides Denis. Sistemas de Informações Organizacionais. São Paulo: Atlas, 2007
SIQUEIRA, M. C. Gestão Estratégica da Informação. Como transformar o conteúdo informacional em conhecimento valioso. Rio de Janeiro: Brassport, 2005.
TONSIG, Sérgio Luiz. Engenharia de Software – Análise e Projeto de Sistemas. 2ª edição. São Paulo: Ed. Ciência Moderna, 2008.

2 comentários:

Fabio Murakami disse...

Nesse SI as vezes devemos pensar nessa pirâmide inversa para analisar melhor a importância de cada setor e observar melhor a parte que envia as informações, que são determinantes para um planejamento bem sucedido. Como Idalberto Chiavenato cita em várias partes do livro - Gestão Pessoas que as classes decisórias(Estratégico e Tático) de uma empresa não só deve ouvir, mas respeitar o que a classe Operacional tem a dizer e ensinar. Em muitas empresas o que acontece e totalmente o inverso, só mandam ou determinam procedimentos que não condizem com a realidade operacional e causa um verdadeiro caos dentro da empresa. Análise e Planejamento estruturado depende da classe operacional. Sem isso não haveria dados suficientes para confrontar.

Késsia Marchi disse...

Olá Fábio, Concordo plenamente. Afinal, a grande maioria dos dados, se não todos, necessários para apoiar tomadas de decisões nos níveis tático e estratégicos são criados pelo operacional.